28/10/2026
Gestão Compartilhada: O que a Unimed ganha com este modelo?
Eu trabalho neste mercado há tempo suficiente para ter uma convicção: nenhuma empresa, por melhor que seja, consegue ser a melhor em tudo ao mesmo tempo. E está tudo bem. O segredo das organizações que prosperam não está em fazer tudo sozinhas - está em saber escolher onde colocar a sua energia. Cada um no seu core business.
As Singulares com quem tenho a honra de trabalhar são feras naquilo que fazem: vender saúde, cuidar do beneficiário, gerar trabalho para os cooperados, e construir marcas fortes e respeitadas em suas regiões. Esse é o coração do negócio de uma Unimed. E é justamente por reconhecer esse valor que eu provoco uma reflexão: será que faz sentido dividir essa energia preciosa com a complexidade de operar, com recursos próprios, um serviço tão exigente quanto o Atendimento Médico Pré-Hospitalar Móvel - o SOS Unimed?
Comprar e manter ambulâncias, contratar e reciclar equipes, estruturar uma central de regulação, administrar passivos trabalhistas, cuidar de frota e base operacional. Tudo isso consome tempo, caixa e atenção. Não porque a cooperativa não saiba fazer, mas porque esse não precisa ser o seu campo de batalha. É exatamente aqui que entra uma escolha estratégica que tem nome: gestão compartilhada.
Gestão compartilhada é um modelo em que a Medilar assume a operação e a gestão do SOS - estrutura, frota, equipes, regulação médica e plano comercial - enquanto a Unimed acompanha e direciona estrategicamente. Em bom português: nós operamos, e a Unimed gerencia indicadores de processos. Cada um fazendo o que faz de melhor. Não é terceirização jogada por cima do muro; é parceria de verdade, com pele em jogo dos dois lados. A operação é nossa; o resultado é compartilhado.
O primeiro peso que sai das costas da cooperativa é o custo. No modelo de recursos próprios, o caixa não para de doer: compra e manutenção de ambulâncias, equipamentos, combustível, base e equipe administrativa. Na gestão compartilhada, esses custos são absorvidos pela Medilar, que já tem escala e estrutura consolidada. O que a Unimed ganha em troca? Previsibilidade financeira e redução real de despesa. Custo fixo virando custo inteligente. E há um ganho que vai além da economia: ao assumirmos a gestão, aquilo que era um centro de custo, serviço, se transforma em produto. A Unimed passa a oferecer um SOS forte e bem estruturado, atrai mais beneficiários pagantes e abre uma nova fonte de receita. Ou seja: a cooperativa deixa de gastar com o serviço e passa a ganhar com ele.
O segundo peso é o risco jurídico e trabalhista. Gerir equipe própria abre a porta para passivos, contratos e um sem-fim de obrigações legais. E vai muito além do jurídico: é a rotina de cobrir furos de escala — faltou condutor socorrista, médico, técnico de enfermagem ou enfermeiro, e alguém precisa parar tudo para tapar o buraco. Uma dor de cabeça diária que consome um tempo precioso. No nosso modelo, essa responsabilidade operacional e trabalhista passa a ser da Medilar, que conta hoje com mais de 1.500 colaboradores com uma estrutura jurídica robusta. A cooperativa troca dor de cabeça por segurança. E segurança, no nosso ramo, não tem preço.
O terceiro ganho está na eficiência da operação. Com o nosso Call Center Médico exclusivo, uma das regulações mais modernas do País, operando 24 horas por dia, a regulação fica mais inteligente e rápida: recurso bem alocado, resposta ágil, menos deslocamento desnecessário e custo controlado. E, no fim da linha, o beneficiário satisfeito.
Eu poderia encher esta página de adjetivos, mas prefiro um fato. Na Unimed Serra Gaúcha, a adoção da gestão compartilhada levou a operação de 6 mil para 120 mil vidas atualmente. Mais de 20 vezes. Não é promessa de folheto - é case real, com começo, meio e crescimento. E não é exceção: a Unimed Goiânia caminha conosco há cerca de duas décadas, e viu o seu número de vidas saltar de 74 mil para 325 mil, um crescimento de 340%. Outras Singulares de peso seguem o mesmo modelo há anos, vendo seus resultados saltarem de forma consistente. Quando o modelo é bom, ele se repete.
No fim das contas, o maior benefício da gestão compartilhada não cabe numa planilha. É o tempo. Ao transferir a complexidade da operação para um parceiro especialista, a Unimed recompra a coisa mais valiosa que existe: tempo e foco para crescer a carteira, cuidar do relacionamento com o beneficiário e fazer gestão estratégica de saúde. Eu costumo dizer que cada um deve correr na pista em que é campeão. A cooperativa é campeã em saúde; a Medilar é campeã em operar o SOS. Juntos, ninguém alcança.
Gestão compartilhada não é moda nem tendência passageira. É a evolução natural de um setor cada vez mais exigente e competitivo. E a melhor parte é que ela nasce de uma relação de confiança - daquelas construídas lado a lado, ao longo dos anos. Minha porta, e a da Medilar, está sempre aberta para sentar, olhar a operação juntos e mostrar, com números, o que dá para construir. Porque grandes jornadas não se fazem sozinhas: fazem-se em parceria.
